Dos doze anos pra cá, muita coisa aconteceu em minha vida. Aos quatorze perdi meu irmão: um mês antes de se casar e dois dias antes de meu aniversário. Foi o fim. A forma que eu tinha de encarar Deus e a religião mudou radicalmente. Passei a ver Deus como um ser severo e áspero, pronto a destruir a vida das pessoas a seu bel-prazer. Eu era católica. Agarrei-me ao terço e comecei a rezar desesperadamente. Nunca tinha tido contato com a morte, e a morte dele, de febre tifóide foi um grande trauma pra mim. Principalmente porque não pude participar da cerimônia fúnebre, por ter ocorrido em outro estado.
Questionei Deus. Como era Deus?
Fiquei doente. Tive que ser medicada durante três meses com medicamentos para depressão. E eu só tinha quatorze anos.
Comecei a ter sonhos. Vi meu irmão em alguns deles. Quis entender... Mas não pude.
Aos quinze anos enrei para a Igreja Batista. O dia em que me converti foi especial. Senti um grande alívio, era como se o chão ficasse macio e eu quase flutuasse. Mas foi só nesse dia. Arrumei um namorado, quis me casar, meu pai não deixou, saí da igreja, fugi de casa, meu pai me buscou duas horas depois e me levou pro Recife (eu morava no Espírito Santo nessa época). Lá saí, bebi muito, tentei me divertir. Entendi que meu pai estava preocupado comigo. Quando voltei, não quis saber de namorado, de nada. Minha cabeça mudou.
Aos dezenove (1991) passei no vestibular, na UFRJ. Conheci um rapaz que também era de lá. Nos envolvemos, começamos a morar juntos: engravidei, veio o Lucas. Engravidei de novo, veio o Artur. Tive que abandonar os estudos pra cuidar dos bebês, e não me arrependo disso. Nos separamos logo: incompatibilidade de gênios? Sei lá! Meus pais me deram a maior força e pude voltar aos estudos em 1994.
Fiz amizade com algumas pessoas, entre elas duas que marcaram minha vida. Uma delas se chamava Vânia. Ela me ajudou muito numa época de extrema dureza. Nós íamos a vários lugares espirituais, até que me envolvi até o pescoço com a ubanda. Outra amiga começou a me levar a um centro de candomblé. Nesse meio tempo, freqüentei centros de kardecismo e da luz violeta.
Comecei a jogar tarô. Como as predições que eu tinha começaram a acontecer, minhas amigas se interessaram. Certa vez, eu disse a uma delas, chamada Ítala: "Teu pai vai perder muito dinheiro. Ela disse: "Gisele, meu pai mora em Goiânia..." Eu falei: "Olha, eu tô vendo aqui que ele vai perder muito dinheiro..." Três dias depois, assaltantes entraram em sua casa e levaram tudo. Passei a ser mais reconhecida ainda...
O ponto culminante foi quando eu vi que meu amigo, Bruno Affonso, iria sofrer um acidente de carro. Eu tinha visões constantes, além de ver nas cartas - e cada dia com mais intensidade. Apesar de ter ficado com medo, resolvi avisar a ele. Só sei que a partir daí, ele começou a usar cinto de segurança, coisa que ele não fazia na época. Ainda não existia a lei reguladora para isso.
Certo dia, eu estava passando roupas quando fui chamada. Era a Ítala, extremamente pálida, que me disse: "Gisele, o Bruno quer falar com você." Eu falei assim: "Manda ele vir aqui..." E ela: "Ele não pode... Ele sofreu um acidente." Quase deixei queimar a roupa que eu estava passando. Fui vê-lo. Até eu estava com medo. Graças a Deus, e ao cinto, ele pode sobreviver, pois o carro foi todo retalhado. Ele só me olhou, pegou um jornal e me mostrou. A foto estampada era a mesma de minhas visões.
Hoje eu sei que Satanás pode nos fazer ver as coisas e depois fazer acontecer. Mas eu demorei muito para entender isso.
sábado, 1 de dezembro de 2007
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