sábado, 22 de dezembro de 2007

NADA É IMPOSSÍVEL PARA DEUS: LICENÇA SEM VENCIMENTO

Licença sem vencimento é impossível???
Meu marido decidiu mudar de estado. Voltar pra Bahia.Tudo bem, poderia pensar assim se não tivesse quatro filhos pra sustentar e fosse concursada na Prefeitura de Vila Velha, ES. Alguém me disse: "Não faça a besteira de pedir exoneração. E se lá não der certo e você quiser voltar? Entre com um pedido de licença sem vencimento. Você terá um prazo para voltar, se não der certo."Depois que temos filhos para sustentar, pensamos muito mais em nossas decisões.Entrei com o tal pedido em agosto, referente a 2008.


Diz a lei:

Seção IX
Da Licença para Trato de Interesses Particulares e Licença Especial

(Acrescido pela Lei Complementar nº 137 de 11/01/99) – (32)
Versão Vigente de 31/01/94 até 12/01/99
(32) - Da Licença para Trato de Interesses Particulares
Art. 146. A critério da administração, poderá ser concedido ao servidor público estável licença para o trato de interesses particulares, sem remuneração, pelo prazo de até 03 (três) anos consecutivos, prorrogável uma única vez por período não superior a esse limite.


Extraído do site: http://www.es.gov.br/site/servidores/estatuto_servidor.aspx


Meu pedido foi negado. Quando fui me informar com o Secretário de Educação sobre o porquê, ele me disse que não poderia dispor da funcionária, que era época de concurso, etc, etc. Sei que tudo por causa do bendito termo: "A critério da administração.", ou seja, se for sua vontade. O secretário de educação disse que eu poderia entrar com um recurso falando que o papel do estado é ajudar a família a se manter unida. Fui escrever o tal recurso. Demorei mais dois meses. Em fins de outubro entreguei-o à minha diretora. Ela começou a me preparar:"Gisele, ninguém até hoje conseguiu tirar licença sem vencimento. Você não vai conseguir. Eu levei seu pedido para o secretário, mas não fique esperançosa."Uma colega, supervisora, disse: "Mas não vai conseguir mesmo! Meu filho teve pneumonia repetitiva oito vezes, e não consegui! Fulano, beltrano e sicrano também tentaram. Ninguém consegue."


Mas outras amigas, também professoras disseram que eu procurasse pessoas influentes, fosse à Procuradoria, que fosse falar com o Prefeito!Continuei aguardando.Certo dia, disse a um amigo: "Você tem o estatuto dos funcionários aí?"Ele o tirou da bolsa. Pedi à coordenadora para tirar xerox da página que fala sobre licença sem vencimento para eu analisar. Então entendi: "A critério da Administração, poderá ser concedida..." Ora, só se eles quiserem mesmo. Guardei aquela folha na primeira página de minha Bíblia, que geralmente levo a todos os lugares que vou.

Liguei para saber sobre o andamento do processo na quarta, dia 19/12, descobri que estava na sala do Secretário de Educação, mas não pude receber nenhuma informação por telefone. Liguei novamente dia 20/12, o homem que atendeu disse que meu processo estava na Prefeitura, e que eu tinha esquecido de assinar o recurso e que teria que ir lá assinar. Pensei "Puxa, vou à Prefeitura... Vou aproveitar para falar com o Prefeito! Marcar uma audiência..." Em 20/12 marcar, talvez ele me atendesse antes de fevereiro. Sei lá.

Descobri o caminho. Quando já estava na rua da Prefeitura, ouvi duas mulheres conversando. Uma delas disse que ia beijar a mão do Prefeito. Não entendi. Só entendi quando cheguei lá. Na entrada, perguntei: "Como faço para falar com o Prefeito?" O rapaz me disse: "É só subir as escadas e ir ao seu gabinete." Subi. Encontrei um antigo companheiro de escola, que estava lá e que agora se tornara diretor. Perguntei a ele como eu fazia para falar com o prefeito. Ele disse:"Coloque seu nome aqui, assine . Agora entre na fila.""Só isso? Não tem que marcar?""Não, hoje é o dia do 'beija-mão', o Prefeito atende a todos os que vêm aqui"Nem pensei duas vezes. Entrei na fila. perguntei a uma funcionária sobre meu processo. Saí da fila pra assiná-lo. Voltei pra fila.Se eu soubesse que ia falar com o Prefeito! Mas eu nem imaginava. Vi algumas pessoas dando presentes. Tiravam fotos de todos.Lá estava eu, com a Bíblia de um lado e a bolsa do outro.

Quando chegou minha vez, estendi a mão ao Prefeito e disse:"Em primeiro lugar, quero parabenizar o senhor, porque não há habitante em Vila Velha que não saiba que nosso Prefeito é evangélico! Isso é um exemplo muito importante para o nosso povo. Em segundo lugar, eu vim aqui por causa de um processo. Entrei com um pedido de licença sem vencimento que foi indeferido. Meu marido vai trabalhar na Bahia e nós temos quatro filhos. Não temos como manter duas casas." E ele me perguntou: "O que diz a lei?" Eu abri a minha Bíblia e lhe mostrei aquela xerox. Bendita xerox! Apontei: "a critério da administração."

Ele me pegou pelo braço, me levou até uma porta onde havia uma mulher muito bem vestida e lhe disse: "Localize o processo dela."Eu me virei para o Prefeito e disse: "Esse aqui é para o senhor, um folhetinho sobre o Sábado." Que Deus conceda que ele leia. Agora é com o Espírito Santo!

Quando aquela senhora trouxe meu processo - em menos de um minuto - viu meu recurso, e disse:"Ah, não acredito que o Secretário não assinou o seu recurso... ele tinha que ter dado um parecer... isso não pode acontecer.... É um absurdo..."

Comecei a imaginar que ela ia falar para eu ir procurar o Secretário, quando ela passou por mim direto e falou com uma pessoa que eu não tinha visto justamente por estar num canto, mas que também estava naquela sala, sentado, sem fazer absolutamente nada. Não havia anotações ou jornais em suas mãos. Nada. Ela lhe disse:

"Senhor Secretário, faça o favor de dar o seu parecer..."

"Olha aqui, eu estou cansado de dar meu parecer e não adiantar nada... Toda vez que eu mando pedido de licença sem vencimento pra cá, é negado. Por que, dessa vez ele vai autorizar?"
'Eu disse que acreditava que sim. Amulher voltou para falar com o prefeito. Quanto retornou, disse:
"Pode dar parecer favorável, pois o prefeito vai deferir o processo dela."

ALELUIA! CONFIAR EM DEUS É MARAVILHOSO!

sábado, 15 de dezembro de 2007

DEUS COLHE OS FRUTOS MADUROS

O Pastor Milton Souza foi um homem que conheci só através do que li e ouvi, mas que marcou profundamente minha vida. Sei que era de São Paulo e que estava com câncer. Oramos muitas vezes por ele em nossa igreja (Adventista Central de Vitória), e eu em minhas orações pessoais. A enfermidade do Pr Milton me fez meditar na brevidade de nossa vida e relembrar minha querida mãe, que partiu de forma semelhante.

Já parou para pensar em Adão? Viveu como nós! É certo que bem mais tempo: 930 anos segundo a Bíblia, mas o seu final? Morreu.
Matusalém - o que mais viveu - não foi diferente de Noé - o único que sobreviveu com sua família ao dilúvio: ambos morreram.
E Caim? Matou o irmão, mas alguns anos depois, ele próprio encontrou a morte.
Pastor Milton Souza: viveu 51 anos, e morreu.

Não foi diferente com meus avós, alguns tios, minha querida mãe...
A morte de minha mãe foi bem semelhante à do Pastor Milton: ela soube que estava com câncer em 15 de setembro, e faleceu dia 26 de dezembro. Tão curto o tempo de vida após a descoberta! A causa foi uma infecção hospitalar contraída logo após a retirada de um tumor dentro da cavidade cardíaca.

EU QUERO AGRADECER A DEUS, PORQUE ELE ME PREPAROU PARA ISSO!!!

Dois dias antes de eu saber que minha mãe estava doente, estava dentro do ônibus, quando de repente eu ouvi: "DEUS COLHE OS FRUTOS MADUROS". Pensei assim: "ora, onde foi mesmo que eu ouvi essa frase?" Aí eu me lembrei de um sermão que ouvi alguns meses antes, do Pastor Neumuel Stina, da Voz da Profecia. Ele contou que ficou revoltado quando soube do falecimento de seu pai, pois não teve oportunidade de conversar com ele antes de sua morte. Então, umas duas semanas depois, ele estava triste, quando de repente ouviu essa frase, e como isso o confortou. Eu pensei: meu Deus... Será que alguém vai morrer???

Dois dias depois, minha irmã, que mora bem longe de mim, ligou-me e disse: "Gisele, você está sentada? Se não está, sente-se!" Eu disse que não queria sentar, e ela insitiu, e eu já entendi tudo. Ela disse assim: "Gisele, a mamãe está doente..." É que eu tinha depressão naquela época, e ficou todo mundo preocupado comigo, pensando que eu ia ter um treco, sei lá. Pois é, acho que ela estava mais nervosa do que eu. Ser religiosa me ajuda a suportar algumas situações que eu não suportava antes de conhecer a Palavra de Deus.

Pois bem, arrumei-me, preparei os meninos, e fui para a casa de minha mãe. Nós tínhamos nos visto no fim-de-semana anterior, pois tinha sido aniversário do Brayan, de três anos, e ela tinha vindo com meu pai. Aliás, eles prepararam tudo com a Mariinha e o Luisinho, meus dois grandes anjos-amigos, que cuidam de meus bebês para eu trabalhar. Naquele fim-de-semana eu estava fazendo um curso de aperfeiçoamento, e quando cheguei, estava tudo pronto. Mas eu não reparei que minha mãe não estava com o bebê no colo. Só no outro fim-de-semana é que foram me contar. Minha mãe não quis que eu me preocupasse antes da hora, pois estávamos em fim de bimestre e eu, pra variar, super atolada de provas e cadernos de redação para corrigir. Ela quis me poupar.

Eu me lembrei do que eu tinha ouvido no ônibus, mas pensei: minha mãe é nova: 62 anos, ela tem ainda muitas pessoas pra evangelizar: ela era muito boa nisso. Era batizada na igreja Adventista há onze meses, mas tinha uma historia pregressa de fé que remonta a sua juventude. Eu pensei, Deus vai poupá-la. E comecei a orar crendo que Deus ia poupá-la. Mas os planos de Deus são diferentes dos nossos planos, e Ele sabe o que é melhor pra cada um de nós. Tenho certeza que a vontade de Deus não era que minha mãe morresse, como não é a morte de ninguém. Mas infelizmente, é uma conseqüência que nós temos que suportar neste mundo: resultado final do pecado nesta terra.

Passamos aquele fim-de-semana juntos, mamãe estava fraquinha, só aí veio me contar sobre o tumor. Como qualquer ser humano o desconhecimento do futuro a incomodava, mas não vi em momento algum falta de fé. Tiramos algumas fotos, fiz suas unhas... Ah, quantas vezes fiz as unhas de minha mãe. Outro dia, ao segurar as mãos de uma senhora da igreja chamada Helena, vim às lágrimas, pois percebi uma extrema semelhança entre suas mãos e as de minha mãe. Ajudei a organizar as malas, fomos comprar alguns produtos de higiene pessoal, fomos à Lan Hause, para ver as fotos de meu sobrinho Gabriel, que havia nascido, conversamos, lemos a Bíblia, oramos. No dia seguinte foi a viagem. Só após duas semanas, a cirurgia. Depois de dois dias, meu pai disse às 9:00 da manhã: sua mãe vai para o quarto hoje. Assim que ela chegar no quarto, ligo pra você. Esperei. 14:00, nada. 16:00 nada. Liguei. "Calma, ela aidna não veio." 20:00, 22:00. Aí meu pai atendeu nervoso. Liga pra sua irmã, que agora estou ocupado. Pensei tudo o que uma pessoa pode pensar. Chorei, angustiei ligando. "Mamãe está com um infecção. Assim que ela sair, papai liga pra gente." Cheguei à escola, disse a diretora. Meu pai não queria deixar eu ir pra lá, pois era outro estado, e não podíamos ficar os dois como acompanhantes no hospital. Ela telefonou pra ele, pra tentar convencê-lo. Ele continuou afirmando e pediu a ela que não deixasse eu ir. Ela me contou isso. Depois disse: "Gisele. Teu pai pediu pra você não ir. Mas se fosse minha mãe, eu iria." Na mesma hora fui à rodoviária. providenciei substitutos, organizei material, e fui para o Rio. meu pai me recebeu com palavras de reprovação, dizendo que eu tinha que cuidar de meus filhos, mas eu percebi o alívio em seus olhos porque eu estava lá.
Foram dias de angústia que passamos ali, depois de 15 dias, minha irmã Neusa foi ficar em meu lugar, no último dia que estive no hospital, minha mãe teve uma certa melhora e saiu da UTI. Até então tinha estado em coma. As palavras que ela me disse jamais esquecerei: "Gisele, estou sofrendo tanto..." "Ai que saudade..." "Saudade do que, mãe?" E ela disse: "Saudade de tudo!" Quando estava me preparando para ir embora, perguntei-lhe que hino ela gostaria que cantássemos. Ela respondeu: "Graças"

Hino 247 - Graças

1. Graças dou, sim, pela vida, Que o bom Deus a mim legou; Graças dou por meu futuro, E por tudo o que passou; Pelas bênçãos derramadas, Pela dor e aflição; Pelo Seu cuidade infindo, Pela graça do perdão.

2. Graças pelo azul celeste, E por nuvens que há também; Pelas rosas do caminho E os espinhos que elas têm; Pela aurora, pela noite, Pela estrela que brilhou; Pela prece respondida, E a eperança que raiou.

3. Pela cruz e o sofrimento, E eternal ressurreição; Pelo amor que é sem medida, Pela paz no coração; Pela lágriam vertida E o consolo que é sem-par; Pelo dom da eterna vida, Sempre a Deus irei louvar.

Se você quiser ouvir o hino, acesse:

http://www.jesusvoltara.com.br/hinos.htm e ecolha o hino 247.


Fizemos o culto. Nos despedimos. Não imaginava que era a última vez que veria minha mãe nesta vida.

Estava me preparando para ir para a rodoviária, quando minha irmã disse que papai não queria que eu fosse trocar com ela. Mamãe tinha voltado pra UTI e eu não poderia fazer nada lá. Era quase véspera de Natal, mas eu não conseguia pensar em nada mais do que mamãe. Continuei ligando e insitindo: "Pai, deixa eu ir." Nada. Falei com minha irmã. Ela disse que eu precisava aceitar a vontade de Deus, que nossas orações só estavam aumentando o sofrimento de mamãe. Liguei pro papai. Ele falou assim: "Ah, Gisele, sua mãe não está nada bem... A pressão dela estava 7x5. Quando ouvi isso, não pensei duas vezes, fui arrumar minhas coisas. Tentei um avião, mas não consegui vôo. O jeito foi ir de ônibus mesmo. Acordei na ponte Rio-Niterói às 5:35. Na mesma hora em que minha mãe tinha acabado de falecer. Ter ido ao Rio foi importantíssimo. Fui eu quem fiz tudo, desde vestir minha mãe, tirar certidão de óbito, e consolar papai. Foi a maior barra da minha vida, o momento mais difícil. Mas eu tenho ESPERANÇA de um dia rever a minha querida DORINHA lá no Céu, ao lado de Jesus!

ANDOU MILTON 51 ANOS COM DEUS, E MORREU.

CARTA SOBRE O PASTOR MILTON SOUZA:



Querida família da Igreja Adventista e da Igreja Cristã,



Os seus familiares da rede Novo Tempo estão em lágrimas porque perdemos – por um instante - às 7h05min da manhã desta quinta-feira, 13 de dezembro de 2007, um grande Anjo da Esperança: o pastor Milton Souza, nosso Diretor Geral. Há pouco mais de dois meses, ele vinha lutando bravamente contra um câncer.

Não é fácil imaginarmos a Novo Tempo e o programa “Anjos da Esperança” sem o sorriso amigo do querido Pastor Souza, mas a força que ele transmitiu à família e o recado que ele deu ao Pastor Valdeci Júnior quando o Senhor o havia preparado para o descanso está nos fortalecendo. Não temos dúvidas de que as últimas palavras que ele conseguiu proferir com dificuldades ao nosso colega são as mesmas que ele gostaria que fossem transmitidas a você que orou por ele e que, agora, continua em sua jornada neste mundo de pecado e sofrimento: “a Miriam (esposa) e as meninas (filhas) já aceitaram. Aceitem os planos de Deus”.

Percebeu querido (a) amigo (a)? Os anjos de Deus estavam ao lado do leito dele quando conseguiu dizer tais palavras para você e para nós. Como humanos, gostaríamos de ter todas as respostas aos porquês da vida, especialmente para o caso do nosso querido pastor, por quem oramos tanto. Em vários lugares do mundo, nos unimos em oração (João 17:21) para que Deus operasse o milagre, mas, isso não aconteceu. Mesmo não tendo todas as respostas que gostaríamos de ter, queremos que as palavras do Pastor Milton Souza e a certeza que ele tinha na volta de Jesus e na ressurreição dele, alimentem em seu coração a certeza de que Deus continua no comando de tudo (Daniel 2). Logo, o sofrimento deixará de existir (Apocalipse 21:4) e notícias como esta nunca mais precisarão ser publicadas.

O Pastor Souza “respirou Novo Tempo” e, por isso, cremos que no Céu, quando Jesus voltar, ele vai querer dar aquele abraço bem apertado em cada um de nós que oramos por ele e que continuamos acreditando no trabalho de pregação pela mídia que ele tanto amou.

Antes de descansar no Senhor, o Pastor Milton pediu que a família dele cantasse um hino do Hinário Adventista: “Sou Feliz Com Jesus”, número 230. Para nós da Novo Tempo, este foi um dos maiores milagres do qual tivemos informação em todo este tempo de existência da instituição. Não podemos imaginar que estrofe desta música mais chamou a atenção do grande servo de Deus naqueles momentos, mas imaginamos, pelo que conhecemos do nosso querido líder que conviveu conosco pouco mais de 5 anos, que foi esta: “Oh, seja o que for, Tu me fazes saber que feliz com Jesus hei de estar”.

A confiança que o pastor Milton manteve em Deus, mesmo nos momentos mais dolorosos do tratamento dele, fez a diferença na vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. A esperança que ele tinha no coração é uma Bíblia aberta que reforçou a nossa fé de que mesmo andando “pelo vale da sombra da morte, os que confiam em Deus não temem mal algum porque o Senhor está com eles” (Salmo 23, adaptado).

Sabe qual é o texto que serviu de base para a composição do hino número 230? João 14:27:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Vamos orar para que esta paz de Jesus que fazia parte do coração do Pastor Milton conforte a todos nós neste momento de dor, especialmente a Miriam, esposa que esteve ao lado dele em todos os momentos; as filhas Elise e Ellen e os genros Rafael e Hiram.

A família do Pastor Milton e a família Novo Tempo precisam muito de suas orações. Mas, em nosso coração está a esperança da breve volta de Jesus (João 14:1-3) quando o encontraremos novamente e juntos cantaremos, quem sabe, o hino “Sou Feliz com Jesus”.

Um abraço da Família Novo Tempo e nosso muito obrigado.

Observação: Para obter informações a respeito da enfermidade do Pastor Milton, você poderá acessar o blog: http://miltonsouza.blogspot.com

sábado, 1 de dezembro de 2007

Passado conturbado

Dos doze anos pra cá, muita coisa aconteceu em minha vida. Aos quatorze perdi meu irmão: um mês antes de se casar e dois dias antes de meu aniversário. Foi o fim. A forma que eu tinha de encarar Deus e a religião mudou radicalmente. Passei a ver Deus como um ser severo e áspero, pronto a destruir a vida das pessoas a seu bel-prazer. Eu era católica. Agarrei-me ao terço e comecei a rezar desesperadamente. Nunca tinha tido contato com a morte, e a morte dele, de febre tifóide foi um grande trauma pra mim. Principalmente porque não pude participar da cerimônia fúnebre, por ter ocorrido em outro estado.

Questionei Deus. Como era Deus?

Fiquei doente. Tive que ser medicada durante três meses com medicamentos para depressão. E eu só tinha quatorze anos.

Comecei a ter sonhos. Vi meu irmão em alguns deles. Quis entender... Mas não pude.

Aos quinze anos enrei para a Igreja Batista. O dia em que me converti foi especial. Senti um grande alívio, era como se o chão ficasse macio e eu quase flutuasse. Mas foi só nesse dia. Arrumei um namorado, quis me casar, meu pai não deixou, saí da igreja, fugi de casa, meu pai me buscou duas horas depois e me levou pro Recife (eu morava no Espírito Santo nessa época). Lá saí, bebi muito, tentei me divertir. Entendi que meu pai estava preocupado comigo. Quando voltei, não quis saber de namorado, de nada. Minha cabeça mudou.

Aos dezenove (1991) passei no vestibular, na UFRJ. Conheci um rapaz que também era de lá. Nos envolvemos, começamos a morar juntos: engravidei, veio o Lucas. Engravidei de novo, veio o Artur. Tive que abandonar os estudos pra cuidar dos bebês, e não me arrependo disso. Nos separamos logo: incompatibilidade de gênios? Sei lá! Meus pais me deram a maior força e pude voltar aos estudos em 1994.

Fiz amizade com algumas pessoas, entre elas duas que marcaram minha vida. Uma delas se chamava Vânia. Ela me ajudou muito numa época de extrema dureza. Nós íamos a vários lugares espirituais, até que me envolvi até o pescoço com a ubanda. Outra amiga começou a me levar a um centro de candomblé. Nesse meio tempo, freqüentei centros de kardecismo e da luz violeta.

Comecei a jogar tarô. Como as predições que eu tinha começaram a acontecer, minhas amigas se interessaram. Certa vez, eu disse a uma delas, chamada Ítala: "Teu pai vai perder muito dinheiro. Ela disse: "Gisele, meu pai mora em Goiânia..." Eu falei: "Olha, eu tô vendo aqui que ele vai perder muito dinheiro..." Três dias depois, assaltantes entraram em sua casa e levaram tudo. Passei a ser mais reconhecida ainda...

O ponto culminante foi quando eu vi que meu amigo, Bruno Affonso, iria sofrer um acidente de carro. Eu tinha visões constantes, além de ver nas cartas - e cada dia com mais intensidade. Apesar de ter ficado com medo, resolvi avisar a ele. Só sei que a partir daí, ele começou a usar cinto de segurança, coisa que ele não fazia na época. Ainda não existia a lei reguladora para isso.

Certo dia, eu estava passando roupas quando fui chamada. Era a Ítala, extremamente pálida, que me disse: "Gisele, o Bruno quer falar com você." Eu falei assim: "Manda ele vir aqui..." E ela: "Ele não pode... Ele sofreu um acidente." Quase deixei queimar a roupa que eu estava passando. Fui vê-lo. Até eu estava com medo. Graças a Deus, e ao cinto, ele pode sobreviver, pois o carro foi todo retalhado. Ele só me olhou, pegou um jornal e me mostrou. A foto estampada era a mesma de minhas visões.

Hoje eu sei que Satanás pode nos fazer ver as coisas e depois fazer acontecer. Mas eu demorei muito para entender isso.

Gênese: um olhar ao céu


As estrelas são minhas companheiras. Lembro de quando era criança, uns doze ou treze anos, eu me sentava em frente da casa de meus pais e ficava olhando as estrelas. Nunca me cansei de admirá-las. Meu vizinho, 'seu' Edilson, chegava do trabalho quando já estava escuro e me pegava olhando pro céu. Sempre fazia a mesma pergunta: "Gisele, quantas estrelas têm no Céu?" Eu sorria: apenas estava admirando. Impossível contá-las. Hoje sei que nem mesmo os mais avançados telescópios puderam dar com exatidão a sua quantidade. Teriam surgido ao acaso?