sábado, 15 de dezembro de 2007

DEUS COLHE OS FRUTOS MADUROS

O Pastor Milton Souza foi um homem que conheci só através do que li e ouvi, mas que marcou profundamente minha vida. Sei que era de São Paulo e que estava com câncer. Oramos muitas vezes por ele em nossa igreja (Adventista Central de Vitória), e eu em minhas orações pessoais. A enfermidade do Pr Milton me fez meditar na brevidade de nossa vida e relembrar minha querida mãe, que partiu de forma semelhante.

Já parou para pensar em Adão? Viveu como nós! É certo que bem mais tempo: 930 anos segundo a Bíblia, mas o seu final? Morreu.
Matusalém - o que mais viveu - não foi diferente de Noé - o único que sobreviveu com sua família ao dilúvio: ambos morreram.
E Caim? Matou o irmão, mas alguns anos depois, ele próprio encontrou a morte.
Pastor Milton Souza: viveu 51 anos, e morreu.

Não foi diferente com meus avós, alguns tios, minha querida mãe...
A morte de minha mãe foi bem semelhante à do Pastor Milton: ela soube que estava com câncer em 15 de setembro, e faleceu dia 26 de dezembro. Tão curto o tempo de vida após a descoberta! A causa foi uma infecção hospitalar contraída logo após a retirada de um tumor dentro da cavidade cardíaca.

EU QUERO AGRADECER A DEUS, PORQUE ELE ME PREPAROU PARA ISSO!!!

Dois dias antes de eu saber que minha mãe estava doente, estava dentro do ônibus, quando de repente eu ouvi: "DEUS COLHE OS FRUTOS MADUROS". Pensei assim: "ora, onde foi mesmo que eu ouvi essa frase?" Aí eu me lembrei de um sermão que ouvi alguns meses antes, do Pastor Neumuel Stina, da Voz da Profecia. Ele contou que ficou revoltado quando soube do falecimento de seu pai, pois não teve oportunidade de conversar com ele antes de sua morte. Então, umas duas semanas depois, ele estava triste, quando de repente ouviu essa frase, e como isso o confortou. Eu pensei: meu Deus... Será que alguém vai morrer???

Dois dias depois, minha irmã, que mora bem longe de mim, ligou-me e disse: "Gisele, você está sentada? Se não está, sente-se!" Eu disse que não queria sentar, e ela insitiu, e eu já entendi tudo. Ela disse assim: "Gisele, a mamãe está doente..." É que eu tinha depressão naquela época, e ficou todo mundo preocupado comigo, pensando que eu ia ter um treco, sei lá. Pois é, acho que ela estava mais nervosa do que eu. Ser religiosa me ajuda a suportar algumas situações que eu não suportava antes de conhecer a Palavra de Deus.

Pois bem, arrumei-me, preparei os meninos, e fui para a casa de minha mãe. Nós tínhamos nos visto no fim-de-semana anterior, pois tinha sido aniversário do Brayan, de três anos, e ela tinha vindo com meu pai. Aliás, eles prepararam tudo com a Mariinha e o Luisinho, meus dois grandes anjos-amigos, que cuidam de meus bebês para eu trabalhar. Naquele fim-de-semana eu estava fazendo um curso de aperfeiçoamento, e quando cheguei, estava tudo pronto. Mas eu não reparei que minha mãe não estava com o bebê no colo. Só no outro fim-de-semana é que foram me contar. Minha mãe não quis que eu me preocupasse antes da hora, pois estávamos em fim de bimestre e eu, pra variar, super atolada de provas e cadernos de redação para corrigir. Ela quis me poupar.

Eu me lembrei do que eu tinha ouvido no ônibus, mas pensei: minha mãe é nova: 62 anos, ela tem ainda muitas pessoas pra evangelizar: ela era muito boa nisso. Era batizada na igreja Adventista há onze meses, mas tinha uma historia pregressa de fé que remonta a sua juventude. Eu pensei, Deus vai poupá-la. E comecei a orar crendo que Deus ia poupá-la. Mas os planos de Deus são diferentes dos nossos planos, e Ele sabe o que é melhor pra cada um de nós. Tenho certeza que a vontade de Deus não era que minha mãe morresse, como não é a morte de ninguém. Mas infelizmente, é uma conseqüência que nós temos que suportar neste mundo: resultado final do pecado nesta terra.

Passamos aquele fim-de-semana juntos, mamãe estava fraquinha, só aí veio me contar sobre o tumor. Como qualquer ser humano o desconhecimento do futuro a incomodava, mas não vi em momento algum falta de fé. Tiramos algumas fotos, fiz suas unhas... Ah, quantas vezes fiz as unhas de minha mãe. Outro dia, ao segurar as mãos de uma senhora da igreja chamada Helena, vim às lágrimas, pois percebi uma extrema semelhança entre suas mãos e as de minha mãe. Ajudei a organizar as malas, fomos comprar alguns produtos de higiene pessoal, fomos à Lan Hause, para ver as fotos de meu sobrinho Gabriel, que havia nascido, conversamos, lemos a Bíblia, oramos. No dia seguinte foi a viagem. Só após duas semanas, a cirurgia. Depois de dois dias, meu pai disse às 9:00 da manhã: sua mãe vai para o quarto hoje. Assim que ela chegar no quarto, ligo pra você. Esperei. 14:00, nada. 16:00 nada. Liguei. "Calma, ela aidna não veio." 20:00, 22:00. Aí meu pai atendeu nervoso. Liga pra sua irmã, que agora estou ocupado. Pensei tudo o que uma pessoa pode pensar. Chorei, angustiei ligando. "Mamãe está com um infecção. Assim que ela sair, papai liga pra gente." Cheguei à escola, disse a diretora. Meu pai não queria deixar eu ir pra lá, pois era outro estado, e não podíamos ficar os dois como acompanhantes no hospital. Ela telefonou pra ele, pra tentar convencê-lo. Ele continuou afirmando e pediu a ela que não deixasse eu ir. Ela me contou isso. Depois disse: "Gisele. Teu pai pediu pra você não ir. Mas se fosse minha mãe, eu iria." Na mesma hora fui à rodoviária. providenciei substitutos, organizei material, e fui para o Rio. meu pai me recebeu com palavras de reprovação, dizendo que eu tinha que cuidar de meus filhos, mas eu percebi o alívio em seus olhos porque eu estava lá.
Foram dias de angústia que passamos ali, depois de 15 dias, minha irmã Neusa foi ficar em meu lugar, no último dia que estive no hospital, minha mãe teve uma certa melhora e saiu da UTI. Até então tinha estado em coma. As palavras que ela me disse jamais esquecerei: "Gisele, estou sofrendo tanto..." "Ai que saudade..." "Saudade do que, mãe?" E ela disse: "Saudade de tudo!" Quando estava me preparando para ir embora, perguntei-lhe que hino ela gostaria que cantássemos. Ela respondeu: "Graças"

Hino 247 - Graças

1. Graças dou, sim, pela vida, Que o bom Deus a mim legou; Graças dou por meu futuro, E por tudo o que passou; Pelas bênçãos derramadas, Pela dor e aflição; Pelo Seu cuidade infindo, Pela graça do perdão.

2. Graças pelo azul celeste, E por nuvens que há também; Pelas rosas do caminho E os espinhos que elas têm; Pela aurora, pela noite, Pela estrela que brilhou; Pela prece respondida, E a eperança que raiou.

3. Pela cruz e o sofrimento, E eternal ressurreição; Pelo amor que é sem medida, Pela paz no coração; Pela lágriam vertida E o consolo que é sem-par; Pelo dom da eterna vida, Sempre a Deus irei louvar.

Se você quiser ouvir o hino, acesse:

http://www.jesusvoltara.com.br/hinos.htm e ecolha o hino 247.


Fizemos o culto. Nos despedimos. Não imaginava que era a última vez que veria minha mãe nesta vida.

Estava me preparando para ir para a rodoviária, quando minha irmã disse que papai não queria que eu fosse trocar com ela. Mamãe tinha voltado pra UTI e eu não poderia fazer nada lá. Era quase véspera de Natal, mas eu não conseguia pensar em nada mais do que mamãe. Continuei ligando e insitindo: "Pai, deixa eu ir." Nada. Falei com minha irmã. Ela disse que eu precisava aceitar a vontade de Deus, que nossas orações só estavam aumentando o sofrimento de mamãe. Liguei pro papai. Ele falou assim: "Ah, Gisele, sua mãe não está nada bem... A pressão dela estava 7x5. Quando ouvi isso, não pensei duas vezes, fui arrumar minhas coisas. Tentei um avião, mas não consegui vôo. O jeito foi ir de ônibus mesmo. Acordei na ponte Rio-Niterói às 5:35. Na mesma hora em que minha mãe tinha acabado de falecer. Ter ido ao Rio foi importantíssimo. Fui eu quem fiz tudo, desde vestir minha mãe, tirar certidão de óbito, e consolar papai. Foi a maior barra da minha vida, o momento mais difícil. Mas eu tenho ESPERANÇA de um dia rever a minha querida DORINHA lá no Céu, ao lado de Jesus!

ANDOU MILTON 51 ANOS COM DEUS, E MORREU.

CARTA SOBRE O PASTOR MILTON SOUZA:



Querida família da Igreja Adventista e da Igreja Cristã,



Os seus familiares da rede Novo Tempo estão em lágrimas porque perdemos – por um instante - às 7h05min da manhã desta quinta-feira, 13 de dezembro de 2007, um grande Anjo da Esperança: o pastor Milton Souza, nosso Diretor Geral. Há pouco mais de dois meses, ele vinha lutando bravamente contra um câncer.

Não é fácil imaginarmos a Novo Tempo e o programa “Anjos da Esperança” sem o sorriso amigo do querido Pastor Souza, mas a força que ele transmitiu à família e o recado que ele deu ao Pastor Valdeci Júnior quando o Senhor o havia preparado para o descanso está nos fortalecendo. Não temos dúvidas de que as últimas palavras que ele conseguiu proferir com dificuldades ao nosso colega são as mesmas que ele gostaria que fossem transmitidas a você que orou por ele e que, agora, continua em sua jornada neste mundo de pecado e sofrimento: “a Miriam (esposa) e as meninas (filhas) já aceitaram. Aceitem os planos de Deus”.

Percebeu querido (a) amigo (a)? Os anjos de Deus estavam ao lado do leito dele quando conseguiu dizer tais palavras para você e para nós. Como humanos, gostaríamos de ter todas as respostas aos porquês da vida, especialmente para o caso do nosso querido pastor, por quem oramos tanto. Em vários lugares do mundo, nos unimos em oração (João 17:21) para que Deus operasse o milagre, mas, isso não aconteceu. Mesmo não tendo todas as respostas que gostaríamos de ter, queremos que as palavras do Pastor Milton Souza e a certeza que ele tinha na volta de Jesus e na ressurreição dele, alimentem em seu coração a certeza de que Deus continua no comando de tudo (Daniel 2). Logo, o sofrimento deixará de existir (Apocalipse 21:4) e notícias como esta nunca mais precisarão ser publicadas.

O Pastor Souza “respirou Novo Tempo” e, por isso, cremos que no Céu, quando Jesus voltar, ele vai querer dar aquele abraço bem apertado em cada um de nós que oramos por ele e que continuamos acreditando no trabalho de pregação pela mídia que ele tanto amou.

Antes de descansar no Senhor, o Pastor Milton pediu que a família dele cantasse um hino do Hinário Adventista: “Sou Feliz Com Jesus”, número 230. Para nós da Novo Tempo, este foi um dos maiores milagres do qual tivemos informação em todo este tempo de existência da instituição. Não podemos imaginar que estrofe desta música mais chamou a atenção do grande servo de Deus naqueles momentos, mas imaginamos, pelo que conhecemos do nosso querido líder que conviveu conosco pouco mais de 5 anos, que foi esta: “Oh, seja o que for, Tu me fazes saber que feliz com Jesus hei de estar”.

A confiança que o pastor Milton manteve em Deus, mesmo nos momentos mais dolorosos do tratamento dele, fez a diferença na vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. A esperança que ele tinha no coração é uma Bíblia aberta que reforçou a nossa fé de que mesmo andando “pelo vale da sombra da morte, os que confiam em Deus não temem mal algum porque o Senhor está com eles” (Salmo 23, adaptado).

Sabe qual é o texto que serviu de base para a composição do hino número 230? João 14:27:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Vamos orar para que esta paz de Jesus que fazia parte do coração do Pastor Milton conforte a todos nós neste momento de dor, especialmente a Miriam, esposa que esteve ao lado dele em todos os momentos; as filhas Elise e Ellen e os genros Rafael e Hiram.

A família do Pastor Milton e a família Novo Tempo precisam muito de suas orações. Mas, em nosso coração está a esperança da breve volta de Jesus (João 14:1-3) quando o encontraremos novamente e juntos cantaremos, quem sabe, o hino “Sou Feliz com Jesus”.

Um abraço da Família Novo Tempo e nosso muito obrigado.

Observação: Para obter informações a respeito da enfermidade do Pastor Milton, você poderá acessar o blog: http://miltonsouza.blogspot.com